Kids (1995)
Larry Clark já era um conhecido fotógrafo quando decidiu se aventurar no mundo do cinema. Kids, seu primeiro filme, foi um dos mais importantes daquele ano grande parte pela polêmica que ele gerou ao mostrar de forma quase documental 24 horas na vida de um grupo de adolescentes nos subúrbios de Nova York.
Nesse período de um dia em que se passa o filme esses jovens fazem sexo, bebem, fazem sexo, usam drogas, conversam sobre sexo, e assim vai. A rotina normal de adolescentes desmotivados das grandes cidades que procuram viver o agora pela falta de perspectiva no futuro é mostrada de forma crua e embora se tenha um fino moralismo o longa procura apenas fazer um retrato da juventude moderna.
E sim o longa já tem mais de 10 anos, mas os jovens ainda são os mesmos. O exemplo da micro-série britânica Skins, que provavelmente não existiria se não fosse Kids. A série teve o mesmo objetivo do filme, fazer um retrato da atual juventude britânica como ela é, mas por ser um série de TV o sexo, drogas e rock’n'roll adquiriram contornos melodramáticos e com mais glamour. Glamour que definitivamente não está presente no longa.
The Kids Are Alright
Uma das criticas que aparece na capa do DVD descreve o filme como “Um chamado de atenção para o mundo”. Mas em que mundo essa pessoa vive? Jovens bebem, se drogam e fazem sexo! Já é assim há algum tempo e todo mundo sabe disso. Então porque tanto choque?
Talvez porque agora pareça que essas atitudes ‘irresponsáveis’ dos jovens estejam saindo do controle. Em um momento os jovens espancam brutalmente um outro que não pertence ao grupo, sem contar a personagem que descobre ser soro positivo. Realmente os jovens já não tão inocentes. Mas de quem é a culpa?
O longa levanta essa pergunta sem pretensão de respondê-la, os pais, a cultura-pop, ou quem sabe esses novos jovens sejam apenas um reflexo do mundo como um todo. O fato é que eles lidam com a chega da adolescencia de forma diferente das gerações anteriores, mas continuam sendo apenas jovens.
Outra visão vê as cenas do longa como se fossem uma cultura jovem extrapolada além das proporções. Nem uma, nem outra interpretação se mostra correta, no fundo as pessoas se esqueceram de como é 16, 17 anos.


