Nerd, Cult e Brega


Trainspotting - Sem Limites (1996)
Junho 25, 2008, 1:05 pm
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Sejamos honestos, Trainspotting é um filme de culto, fazendo apologias as drogas ou não. Prova disso é que existem no Orkut cerca de 27 comunidades relacionadas ao filme, sendo que a maior delas tem mais 35 mil membros.

Em um subúrbio de Edimburgo, jovens sem perspectivas mergulham no submundo das drogas para fugir do cotidiano medíocre. Renton (Ewan McGregor) junto com seus amigos é um desses jovens entediados. Mas um belo dia decide se livrar da heroína. O filme acompanha a rotina alucinante dos garotos e traça um retrato da geração desesperançada dos anos 90.

O longa é baseado no livro homônimo do escritor Irvine Welsh. O autor lançou em 2006 a continuação, Pornô, que se passa 10 anos depois do original. Já existem planos para a adaptação do livro. Na história, Sick Boy quer abrir uma produtora de filmes pornôs. Para conseguir isso, convida para a sociedade Mark Renton, dono de um club em Amsterdã; Nikki, uma estudante problemática, e o fracassado vendedor de bebidas, Juice Terry. Mas o desajustado e perigoso Frank Begbie está prestes a sair da prisão.

Esse filme marcou toda a geração dos anos 90. Tendo um impacto no cinema semelhante ao que Nirvana teve na música, pelo menos para a cultura jovem.

Como eu sou uma pessoa bem pontual, só levei onze anos para ver o filme. Mas não foi uma decepção, o filme continua interessante mesmo com esse lapso de tempo. Junto com Réquiem para um Sonho eles são os melhores “junk-movies” realizados.

O longa adquiriu importância não apenas pelo culto que se formou ao seu redor, mas também por revelar ao mundo o diretor Danny Boyle e o ator Ewan McGregor. Esse foi o seu filme da maior repercussão de Boyle, ele realizou outros bons filmes ao longo da sua carreira, mas nada comparado a esse. A dupla ainda trabalhou junto em Por uma vida menos ordinária.



Maus
Junho 17, 2008, 6:32 pm
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Cada historia nasceu para ser contada de uma determinada forma. Algumas nasceram para ser filmes outras, livros, músicas e assim por diante. Maus nasceu para ser uma historia em quadrinhos. Por mais que já tenham oferecido para transformar a historia em filme seu criador se mantém firme. “Não entendo porque em nossa cultura ninguém parece acreditar que algo não é real, até que seja transformado em filme”. E é melhor que continue assim porque Maus não teria a mesma intensidade e poder se fosse um filme ou um livro comum.

Art Spiegelman fez a biografia de seu pai (Vladek), um judeu polonês que sobreviveu as atrocidades da 2° Guerra. A narrativa é construída em dois planos. O momento do agora, onde Vladek já idoso conta sua vida para Art, e nos flahsbacks, que narram a sobrevivência durante a guerra.

Entrelaçado com os acontecimentos do passado o autor conta como foi a elaboração do livro e expõem a sua relação conturbada com o pai, uma pessoa mau-humorada, mesquinha, metódica e as vezes racista. Seus defeitos e sua historia fazem dele um personagem complexo e atormentado pelos fantasmas do passado.

Vladek era um jovem com grande potencial quando conheceu sua futura esposa Anja, isso antes da guerra. Eles se casaram e tiveram um filho e quando tudo ia bem, os nazistas chegam a sua cidade. A partir dai os dois como toda sua familia e amigos passam a lutar para sobreviver. Eles têm que lidar com privações cada vez maiores e dificuldades para se conseguir o básico e se manter de pé. A guerra afasta e aproxima os dois diversas vezes e vemos a construção do Vladek já idoso como uma conseqüência das decisões que ele tomou para sobreviver enquanto a vida que ele conhecia era destruída.

Contrabando, trocas, subornos passam a fazer parte da sua vida. Com sua inteligência e uma grande dose de sorte ele é capaz de se manter vivo durante esses anos.

Spiegelman cria uma narrativa envolvente que transporta o leitor para dentro daquele mundo. Embora seja impossível para aquele que não viveram imaginar as atrocidades daquele tempo a livro cria imagens chocantes que por si só já emocionam.

A narrativa muito bem construída, ganha fluidez com a arte de Spiegelman. Ele representa cada grupo étnico como um animal diferente; os judeus são ratos, alemães são gatos, americanos cachorros, poloneses porcos. Dentro da escolha de cada animal estão questões metafóricas, que se prendem ao momentum da historia. Hitler se referia aos judeus como vermes, “sem dúvida os judeus são uma raça, mas não são humanos” (frase de Hitler que abre o primeiro livro), mas naquela situação pode-se dizer que nenhum deles era realmente humano.

Os quadros são sujos, e a historia é interrompida por mapas, esquemas, desenhos e fotografias que enriquecem a sua construção.

Um drama profundamente humano sem que um único homem apareça, o retrato de animais como humanos suaviza ao mesmo tempo em que intensifica o seu sentido metafórico, porque é muito mais fácil criticar a humanidade pelos olhos dos animais, como muitas fábulas o fizeram.

A historia de sobrevivencia de Vladek recebeu em 1992 o prêmio Pulitzer, um dos mais bem conceituados do meio jornalístico e literário, nunca antes dado à uma HQ.

Publicada entre 1980 e 1991 em uma revista underground e depois compilada em dois volumes esse é um dos relatos mais verdadeiros e emocionantes do Holocausto. Ela chegou no Braisl inicialmente em dois volumes, Maus - A história de um sobrevivente (1986) e Maus II - E aqui meus problemas começaram (1995). Em 2005 a Companhia das Letras publicou um volume único que ainda pode ser encontrado nas livrarias.



Familia Rodante (2004)
Junho 16, 2008, 6:17 pm
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“Familia não se escolhe”. Esse clichê é ótimo para descrever qualquer filme que procura explorar a dinâmica dessa instituição, um bando de estranhos que compartilha DNA. Uma das mais belas análises é o argentino Familia Rodante.

Como o nome sugere esse é um road-movie, tipo de filme perfeito para se explorar relações familiares vide os diversos longas que seguem esse estilo Pequena Miss Sunshine, Transamerica, Viagem a Darjeeling. Todos colocam os membros de uma familia em uma situação inusitada e assim exploram as suas relações, para tal eles seguem uma estrutura básica de roteiro.

A convocação:

Tudo começa com um convite, no caso para um casamento. Emilia a matriarca da familia é convidada para ser a madrinha no casamento de sua sobrinha e decide levar toda a familia junto. Assim filhos, netos, bisnetos e uma amiga se apertam dentro de um trailer para atravessar a Argentina. Nesse começo somos apresentados aos personagens e já é possível percebermos certas ações como o romance entre os primos.

A viagem:

Problemas com o motor, uma dor de dente, um vira-lata, mosquitos e o calor são uns dos problemas que complicam a segunda e maior parte do longa. Aqui devido às condições em que estão os nervos e emoções afloram. Antigos romances vem a tona, novos se formam, conflitos são olhados de frente numa ótica realista, os problemas não desaparecem com um passe de mágica, mas podem ser trabalhados. 

A chegada:

Finalmente chegamos ao destino, um pequeno e simples casamento na cidade natal da matriarca. Agora no calor da festa e celebração desavenças são postas em segundo plano. A familia aproveita para comemorar, mas sem deixar de pensar sobre o que virá a seguir, como lidar com os problemas que se mostraram na viagem.

Familia Rodante faz um retrato sincero e puro das relações familiares. Eles não são perfeitos e tambem não são as aquelas familias completamente disfuncionais, são simplesmente uma familia com falhas e acertos ponto.

 



Weezer - Weezer (2008)
Junho 15, 2008, 11:04 pm
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Tudo começou em 1994 com o que futuramente seria conhecido como The Blue Album. Em 2001 conhecemos The Green Album e agora temos o terceiro álbum auto intitulado do Weezer, já conhecido como The Red Album.

Foram 14 anos dês do Blue Album e a trupe de Rivers Cuomo mudou bastante. Para perceber isso não prescisa nem ouvir o cd só comparar as capas. Em 1994 eles eram o estereótipo dos nerds, as músicas refletiam isso, era o mais puro angry-nerd-rock já feito. Agora no sexto álbum de estúdio do grupo a capa mais parece um Village People moderno ou o elenco do novo Beverly Hills 90210, super heterogêneo para atrair todos os públicos possíveis.

 

Com essa impressão de estranhamento e trash da capa esperasse um cd cheio de guitarras e letras irônicas. E aqui morremos na praia, o álbum não atinge as expectativas, o que não quer dizer que ele é ruim e sim diferente (depois dessa vou dar palestras para adolescentes deprimidos, rs).

 

O álbum mostra uma banda seguindo o caminho iniciado em Make Believe de 2001. Pende por uma vertente mais calma e  romanceada de suas músicas. O angry-nerd-rock que fez do Weezer um ícone dos anos 90 está cada vez mais em segundo plano, as músicas mais melódicas e amorosas ocupam o lugar das guitarras e letras irônicas.

 

Não é o que se esperava, mas é algo que faz sentido em uma trajetória. Há certas músicas que exigem uma boa dose de paciência para ir até o fim. O trabalho anterior tambem tinha essas músicas, o problema é que agora elas são maioria.

 

A primeira música de trabalho “Pork and Beans” junto com “Troublemaker” são as melhores faixas do álbum por seguirem a cartilha dos anos 90. Uma música animada com a letra no estilo “sou nerd mesmo e ai!”.

I’mma do the things
That I wanna do
I ain’t got a thing
To prove to you

 

(Pork and Beans)

 

I’m a troublemaker
Never been a faker
Doing things my own way
And never giving up

(Troublemaker)

“The Greatest Man That Ever Lived” e “Everybody Get Dangerous” são as outras músicas aproveitavies do cd. A segunda inclussive lembra “We Are All On Drugs” do Make Believe. “Thought I Knew” é uma incógnita. Digna de estar no primeiro cd do Simple Plan (!?). As outras 5 músicas ocilam entre o tédio (”The Angel And The One”) e a música tão doce que enjoa (”Heart Songs”).

Conforme se ouve as músicas vão se tornando menos dificeis de digerir, mas exige tempo. O Red Album é o Weezer menos Weezer até hoje. 

Pork and Beans



A Morte do Soldado Legalista
Junho 15, 2008, 3:22 pm
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Death of a Loyalist Soldier, originally uploaded by Balakov.

Tirada em 1936 A Morte do Soldado Legalista é uma das fotos mais famosas de Robert Capa. Ela retrata o momento da morte de um soldado durante a Guerra Civil Espanhola.

A cena junto com outras grandes imagens da cultura ocidental recebeu essa bela versão em Lego. Aqueles que quiserem podem até comprar a imagem.

Mais uma vez o Lego mostra as suas versatilidade como brinquedo para todas as idades.